quarta-feira, 11 de maio de 2011

Atividade física, alimentação saudável e emagrecimento

A importância da atividade física e da alimentação no processo de emagrecimento

Atualmente, seja por motivação estética seja pela melhoria da saúde, é cada vez maior o número de pessoas que buscam emagrecer. Aquelas que não necessitam perder peso também se interessam pelo assunto, porque tem algum parente próximo com o problema. Os profissionais ligados à educação física devem estar cientes destes fatos, apoiando os esforços para alterar e auxiliar em todos os comportamentos e hábitos que visam melhorias relativas à saúde (Cossenza, 1996).

1)O que é a obesidade? Hoje em dia a maneira mais utilizada para saber se uma pessoa está ou não fora da faixa de seu peso normal é o cálculo do índice de massa corporal (IMC). Este índice pode ser obtido dividindo-se o peso corporal pelo quadrado da altura em metros.De acordo com a organização mundial de saúde, a obesidade só será observada em uma pessoa quando esta apresentar um IMC maior ou igual a 30,0 kg/m2.

Números à parte, atualmente a obesidade é concebida como uma doença fatal e também como uma das grandes causadoras de problemas nas doenças cardiovasculares, na hipertensão, na diabetes, no câncer, derrame cerebral e nas artrites. Caracteriza-se com uma anormalidade metabólica causada pelo consumo excessivo de calorias, onde percebe-se um acúmulo muito grande de triglicerídeos nos adipócitos (células gordurosas) distribuídos pelo corpo (Barbanti, 1990). Representa um enorme problema não só para o indivíduo, que sempre está insatisfeito com o seu próprio corpo, mas também para toda a sociedade em geral, pois esta doença exerce um impacto subestimado sobre a saúde pública e, portanto, sobre os custos econômicos sociais (James apud Fox, 2000). Ultimamente vem se constituindo até em objeto de lucros para a "indústria do emagrecimento", tantos que são os livros sobre dietas milagrosas, remédios, aparelhos mirabolantes que fazem emagrecer sem esforço algum!, adesivos emagrecedores, etc. Como podemos observar a obesidade tem uma representação bastante significativa na vida social observada no mundo atual.
Uma pessoa obesa, apesar de muitos negarem, ainda sofre grande discriminação nas aulas de educação física e esportes, onde sempre é deixada de lado na formação de uma equipe ou então sempre é a última a ser escolhida em um treinamento coletivo. Este é o tipo de coisa que tem que deixar de acontecer no mundo da educação física, pois um de seus princípios básicos é o da não exclusão, ou seja, todos tem o direito de participar das atividades independentemente de suas condições físicas e técnicas; cabe ao professor determinar uma maneira que faça com que este princípio seja cumprido.

Vendo que a obesidade só lhes trazem prejuízos às suas vidas, as pessoas buscam então recursos que as façam de alguma maneira perder peso. Neste ponto outro questionamento pode ser levantado: como emagrecer? Existem três respostas possíveis para este questionamento. A primeira delas, e menos comum, são as cirurgias, realizadas basicamente em casos de obesidade mórbida (IMC>40). Uma outra forma de emagrecer é através de medicamentos, também utilizada em casos de obesidade mórbida e obesidade associada com outras doenças. A terceira maneira consiste em mudanças comportamentais. É sobre esta última que o presente artigo dará um enfoque maior.

2)Quais comportamentos modificar para emagrecer?
Normalmente as pessoas obesas apresentam dois tipos de comportamento que as fazem ter uma quantidade de gordura acima da média: 1)elas são inativas fisicamente e 2)comem demais ou comem errado (muita gordura e muito doce, por exemplo). Portanto, para emagrecer estas pessoas terão que realizar mudanças comportamentais em sua vida cotidiana. Uma destas mudanças consiste no início da prática regular de atividades físicas, preferencialmente orientada por um profissional graduado; a outra refere-se a uma reeducação alimentar, onde se faz necessário que a pessoa passe a ter uma alimentação saudável, e também neste ponto se faz de primordial importância a presença de um profissional qualificado. A partir de agora iremos destacar alguns princípios que devem ser obedecidos para que a prática das atividades físicas, associada a uma alimentação saudável, consiga gerar o objetivo proposto que é o do emagrecimento.

2.1)Atividades físicas para emagrecer: A primeira coisa que um educador físico percebe quando uma pessoa obesa vem ao seu encontro com o intuito de lhe pedir orientação profissional é que a mesma está totalmente destreinada e, muito provavelmente, nunca praticou atividade física alguma. Portanto não podemos simplesmente recomendar a esta pessoa que ela corra, pedale ou caminhe tantos minutos ou horas por dia, pois ela nunca deve ter feito isso na vida e também porque não sabemos se tais atividades se adequam a sua estrutura corporal.

Para o início da prática de atividades físicas com indivíduos que desejam perder peso, algumas recomendações devem ser tomadas pelo profissional de educação física. A primeira delas é recomendar ao seu aluno que realize um exame médico antes de qualquer coisa, pois somente assim a prática poderá ser executada de uma maneira segura e saudável. O seguinte passo é conscientizar o seu aluno que os exercícios devem ser praticados com calma e os resultados devem ser aguardados sempre a longo prazo, para assim evitar falsas expectativas por parte do mesmo. Com o exame médico em mãos o profissional de educação física, se necessário com o auxílio do médico, deve saber determinar quais são as atividades que mais se adequam à estrutura corporal do aluno e assim evitar futuros problemas estruturais que possam vir a acontecer (ex. problemas articulares). Após determinar as atividades, se faz de fundamental importância que o professor procure fazer com que seu aluno sinta prazer em realizar a atividade e não realizá-la somente por obrigação, pois assim o hábito do exercício físico será adquirido mais facilmente. Para isso é importante conscientizá-lo das grandes contribuições que os exercícios vão trazer ao seu corpo e dar-lhe um maior grau de liberdade que faça com que o lazer seja sempre liberatório de obrigações (Camargo, 1989). Uma coisa básica que todo educador físico tem obrigação de saber é que, como habitualmente os exercícios para perda de peso são aeróbicos, se faz necessário calcular a frequência cardíaca máxima do indivíduo para assim evitar um trabalho com sobrecarga excessiva (Coutinho, 2001). Ao adotar estas recomendações o profissional de educação física estará apto a realizar e orientar seus alunos em vários tipos de atividades físicas que visam o emagrecimento.

As atividades físicas mais eficientes na promoção da perda de peso são as ditas aeróbicas. Segundo Coutinho (2001) estas atividades consistem em um:

(...) " tipo de exercício em que predomina a produção de energia pelas vias que utilizam o oxigênio. Em geral são as atividades que envolvem pouca ou moderada intensidade e uma longa duração, como a caminhada e a bicicleta" (...) (p.77)

Como a busca é pelo emagrecimento, o tempo das atividades geralmente é em torno de uma hora. Isto explica-se pelo fato de que é com esta duração que os depósitos de glicogênio começam a demonstrar significativas reduções e assim as gorduras tornam-se as mais importantes fontes de energia (Fox,2000). Como exemplo de atividades que promovem estas alterações podemos citar a natação, cujo gasto energético é de 600 kcal por hora, o ciclismo (300 a 600 kcal por hora), a caminhada (300 a 400 kcal por hora), a ginástica aeróbica (400 kcal por hora), a hidroginástica (450 kcal por hora), o judô (720 kcal por hora), a corrida (600 kcal por hora) e até a musculação (400 kcal por hora), apesar de muitos profissionais, erroneamente, afirmarem que na musculação só existe trabalho anaeróbico. Estes números são válidos para uma pessoa de aproximadamente 70 kg, porém é lógico afirmar que quem pesa mais também gasta mais.

Além do emagrecimento pela utilização de gordura como fonte predominante para a produção de energia, a prática regular de atividades aeróbicas também traz outros grandes benefícios ao organismo humano. Como exemplos, Maughan, Gleeson e Greenhaff nos citam o aumento da capacidade de resistência, o aumento da confiança nos lipídios como combustível energético e o aumento da capacidade das mitocôndrias de gerar ATP por meio da fosforilação oxidativa. Barbanti (1990) nos fala também da elevação do metabolismo basal, diminuição do risco de várias doenças e melhoria do suporte psicológico e social pelos sentimentos de bem estar e auto estima que o agora ex-obeso passa a sentir. Existem vários outros benefícios que ao final formam uma extensa lista, o que nos faz concluir que a atividade física é de fundamental importância não só para o processo de emagrecimento, principal objetivo a ser atingido por um obeso, mas também para a obtenção de vários outros benefícios que podem ser incorporados ao organismo humano. Porém, estudos de caso realizados com pessoas obesas que apenas exercitavam-se mas que não regulavam a alimentação, comprovaram que se não houver um controle adequado da quantidade de calorias ingeridas, a atividade física isoladamente tende a ser ineficaz. Exatamente por este motivo, serão abordadas no presente artigo algumas recomendações a serem feitas para que a associação entre exercícios físicos e alimentação produza os resultados desejados.

2.2)Alimentação para emagrecer:
O alimento é toda e qualquer substância que, introduzida no corpo, fornece material citogênico necessário ao crescimento do organismo, assegura o potencial energético do mesmo e regula e estimula os processos nutritivos (Barbosa,. 1999). Os principais nutrientes contidos nos alimentos são os carboidratos e gorduras (energéticos), vitaminas e minerais (reguladores) e proteínas (construtores). Paralelamente ao período de atividades físicas, todos eles devem ser consumidos em quantidades suficientes para satisfazer as necessidades metabólicas do corpo, mas não em quantidades exageradas para não fazer com que a perda da gordura observada durante os exercícios seja reposta rapidamente, pois assim os efeitos da atividade na promoção do emagrecimento se tornam ineficazes.

A grande maioria dos nutricionistas recomenda que se faça um plano alimentar no período paralelo as atividades físicas. Este plano é mais eficiente do que as dietas tradicionais pois faz com que as mudanças observadas na alimentação das pessoas seja permanente, promovendo a manutenção a longo prazo do peso desejado, enquanto que as dietas funcionam temporariamente, já que assim que as pessoas retornam aos seus hábitos normais o peso é reposto e, muitas vezes, até em uma quantidade maior do que havia antes. Segundo o nutricionista Walmir Coutinho (2001), em sua obra "enciclopédia do emagrecimento", um plano alimentar é composto por seis elementos básicos: 1)realização de várias refeições ao dia, preferencialmente de quatro a seis; 2)evitar alimentos mais gordurosos (ex. manteiga, carne vermelha, etc.); 3)comer carboidratos em todas as refeições sem exagerar (ex. pão, feijão, arroz, batata, etc.); 4)comer bastante verdura, legume e fruta (exceção para abacate e açaí, que são gordurosos); 5)usar moderadamente e de forma esporádica o açúcar, doces, bebidas alcóolicas e comidas gordurosas, principalmente as de origem animal; e 6)participar ativamente na elaboração dos cardápios e na escolha dos alimentos. A alimentação ideal inserida neste plano deve ser mista, contendo todos os nutrientes necessários em quantidades ideais. Em geral estas quantidades giram em torno de 53% de carboidratos, 35% de lipídios e os outros 12% ficam por conta das proteínas, vitaminas e minerais.

Podemos observar pelas considerações feitas anteriormente que a alimentação adequada também é de fundamental importância para o processo de emagrecimento. Ela, associada aos exercícios físicos, permite que o corpo desempenhe todas as suas funções perfeitamente mesmo com uma grande quantidade de energia sendo liberada pelos esforços físicos. Assim sendo, sempre se faz recomendável em um programa de emagrecimento o trabalho conjunto de um educador físico com um nutricionista, fato este que não acontece na realidade atual. Infelizmente, muitas pessoas que desejam perder peso "inventam" maneiras próprias de realizar o seu programa de emagrecimento, sem adotar critério metodológico algum. Ao final de um certo período de tempo, quando percebem que os resultados esperados não estão vindo, acabam por desistir das atividades e voltam a sua rotina normal, muitas vezes ganhando mais peso do que tinham anteriormente por causa do descontentamento em não ter conseguido emagrecer.

Considerações finais: O presente estudo nos permite tirar valiosas conclusões a respeito da importância da atividade física e da alimentação para o processo de emagrecimento. A primeira delas refere-se à obesidade; foi visto que a obesidade ocorre quando o equilíbrio energético do corpo se torna positivo, ou seja, mais energia é consumida do que gasta. A atividade física vai ser de grande importância no combate a esta doença porque mantém baixo o conteúdo gorduroso total do corpo assim como também reduz o ritmo de acúmulo dos adipócitos (Fox, 2000). Outra conclusão que diz respeito as atividades físicas é que devem ser escolhidas aquelas que exigem uma liberação de energia a longo prazo (aeróbicas), e ao mesmo tempo, dentro das capacidades físicas do indivíduo.

Quanto à alimentação, conclui-se que também é de grande importância, visto que vai ser a energia propulsora a qual mantém o corpo em funcionamento. Neste contexto, sugere-se que se faça um plano alimentar associado aos exercícios físicos com o intuito de mudar os hábitos alimentares das pessoas obesas, assim como também deve-se abandonar as famosas dietas da moda pois estas só funcionam temporariamente, ao contrário do plano alimentar, cujos efeitos são permanentes.

Sendo assim, esperamos que agora os profissionais de educação física reciclem seus conceitos quanto à relação entre atividades físicas e estrutura corporal, pois o que se percebe no atual mercado de trabalho é que muitos profissionais não qualificados recomendam os mesmos tipos de atividades físicas para crianças, idosos, obesos, hipertensos, etc., sem considerar as diferenças individuais de cunho estrutural e fisiológico que cada uma delas apresenta, o que ao final do trabalho pode gerar diversos problemas para os indivíduos submetidos ao programa de treinamento assim como também pode acarretar o não cumprimento dos objetivos propostos no início das atividades.

Referências bibliográficas:

1)BARBANTI, Valdir J. APTIDÃO FÍSICA: Um convite à saúde. São Paulo: Manole, 1990.

2)BARBOSA, Edvaldo. Higiene da alimentação. Natal: UFRN, 1999. Apostila (disciplina de higiene), Faculdade de educação física, Universidade federal do Rio grande do Norte, 1999.

3)CAMARGO, Luiz O. Lima. O que é lazer. 2ed. São Paulo: Brasiliense, 1989.

4)COSSENZA, Carlos Eduardo. Personal Training. Rio de Janeiro, Sprint, 1996.

5)COUTINHO, Walmir. Enciclopédia do emagrecimento. São Paulo: Goal editora, 2001.

6)FOSS, Merle L., KETEYIAN, Steven J. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. 6ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

7)MAUGHAN, Ron., GLEESON, Michael., GREENHAFF, Paul L. Bioquímica do exercício e do treinamento. São Paulo: Manole, 2000.

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Educação Física - CONCEITUAÇÃO

Pode-se conceituar a Educação Física no panorama mundial atual como uma atividade educativa por excelência, comprometida com os direitos fundamentais do ser humano (saúde, ocupação saudável do tempo livre, preservação da cultura, entre outros) constituindo, portanto, um meio efetivo para a melhoria da qualidade de vida.

Educação Física hoje e as Representações Sociais
Dos diferentes entendimentos que se tem acerca do que é ou deva ser a Educação Física, resultam diferentes pressupostos teórico-metodológicos para o seu ensino na escola.Atualmente podemos identificar o predomínio de concepções na Educação Física brasileira. Para Castellani Filho (1994), são três as perspectivas que hoje encontram na Educação Física maior significância:

a) uma, que se encontra na sua biologização, ou seja, ocupa-se dos aspectos biológicos da Educação Física;
b) outra, que se percebe na sua psicopedagogização, ocupando-se dos aspectos psicológicos e pedagógicos do ensino da Educação Física; e
c) proposta de uma prática pedagógica transformadora, preocupando-se com os aspectos simbólicos das diferentes manifestações da Educação Física.De fato, a sociedade, a escola ainda hoje, concebe essa área e seu profissional, na escola e fora dela, como a responsável pela garantia da saúde das pessoas por meio de práticas esportivas e de atividades físicas. Tais noções são fortemente reforçadas pela mídia, sobretudo a televisionada, porque, geralmente, quando são realizadas entrevistas e documentários em programas esportivos ou jornalísticos sobre a profissão com ou sem a presença do professor de Educação Física, estas se referem a aspectos sobre atividade física e saúde, detecção de talentos ou outras matérias do gênero que nos permite fazer determinadas leituras de uma área permeada de representações em torno da qual a sociedade constrói concepções idealizadas sobre a Educação Física.


EDUCAÇÃO FÍSICA: HISTÓRIA E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Analisaremos cada uma dessas concepções delimitando-as e caracterizando-as para um melhor entendimento de como ocorreu o processo de construção das representações sociais da saúde nessas concepções como área encarregada, através das práticas de atividade física e esportivas, de cuidar da “saúde”, de valores “cívicos” e “morais” dos sujeitos sociais.

Concepção Higienista
A Educação Física Higienista surge no Brasil em fins do século XIX. Percorrendo mais de 40 anos de existência, essa concepção é implementada pelo liberalismo burguês, que acreditava resolver os problemas sociais enfrentados pela sociedade brasileira através da escola. “O inchaço das cidades, a formação de bairros insalubres, a proliferação de doenças infecciosas provindas das precárias condições de vida. O pensamento liberal da época não atribuía os inúmeros problemas enfrentados pela sociedade brasileira ao seu modelo sócio-econômico, mas ao analfabetismo e a falta de escolarização da população. A grande concentração de pessoas em um só setor, o aumento de doenças e as péssimas condições de vida constatada nos bairros operários estavam relacionados à “ignorância do povo”.Diante desse quadro social, dissemina-se a noção de que essa sociedade precisa, urgentemente, adquirir hábitos higiênicos no seu dia-a-dia, garantindo que fiquem longe de doenças e sempre sadias.
A Educação Física não era considerada como disciplina pedagógica, mas como um instrumento capaz de promover a saúde das pessoas. Representava a própria extensão dos órgãos de saúde na escola.

Concepção Militarista
A Educação Física Militarista, inspirada pelo movimento fascista, surge em 1931, como disciplina obrigatória nos cursos secundários. Esta foi expandida nas escolas, visando “aperfeiçoar os indivíduos” e promover a “saúde da Pátria”. De fato, tal concepção postula que é possível homogeneizar o povo através das atividades físicas e do desporto, independente de suas diferenças étnicas.
Passa a reforçar ainda mais os interesses de se obter, através de exercícios, pessoas mais fortes e mais saudáveis em condições de defenderem sua pátria.
A representação aparente da concepção militarista era a de obter uma juventude capacitada para suportar o combate, a luta, a guerra. Assim sendo, pregava um tipo de Educação Física “selecionista”, porque os mais fortes, os ditos mais aptos estariam com mais condições de praticá-la. Aqui, a Educação Física apresenta-se como colaboradora do processo de “seleção natural” passando a valorizar e evidenciar os mais “fortes” em detrimento dos mais “fracos”.

Concepção Pedagogicista
No período pós-guerra, compreendido de 1945 a 1964, surge a Educação Física Pedagogicista. Representou um avanço em relação às concepções anteriormente assinaladas, pelo fato de ter considerado a Educação Física uma disciplina escolar. Sua preocupação não era a de ofertar uma formação crítica para a juventude brasileira, mas de mantê-la fora do processo de construção de uma nova consciência capaz de promover a reflexão sobre a realidade social e de não permitir uma diminuição das injustiças e desigualdades da época.
De fato, a Educação Física Pedagogicista, respeitada acima das questões políticas e dos interesses inerentes de cada grupo ou classe social foi implantada na escola pública para fortalecer e encobrir as desigualdades, alterando e limitando a prática da disciplina e a postura do professor.
A tendência em questão, em seu caráter neutro, é quem vai chamar atenção da sociedade para o fato de que a Educação Física não deve apenas funcionar como a responsável pela promoção da saúde ou de disciplinar a juventude, mas deve-se encará-la como uma prática educativa. Portanto, o sentido a ela atribuído se diferencia das tendências anteriores porque propõe uma disciplina preocupada com os aspetos também educacionais.Concepção Competitivista
Com o surgimento da Educação Física Competitivista, consolidava-se a concepção que iria privilegiar o Treinamento esportivo, tornando o “esporte de alto nível” o principal paradigma da Educação Física na escola.
O exagero pela competição, o fortalecimento do individualismo, a busca incessante e a qualquer custo pela vitória são neste momento histórico algumas das marcantes representações veiculadas pela Educação Física. Não diferente das anteriores, essa tendência faz vistas grossas aos conflitos político-sociais, considerando como mais importante o “vencer”. O conteúdo de ensino passa a ser oficialmente o desporto de rendimento ou alto nível, reforçando a noção de que todos podem, independentemente das desiguais oportunidades, praticá-lo a ponto de um dia também chegar ao topo. A conquista do pódio nos esportes serve como metáfora para “o vencer” na vida.

Concepção Popular
Ao contrário das concepções anteriormente citadas, a Educação Física Popular revela uma produção teórica ampla e de fácil acesso.
A Educação Física Popular não está preocupada com a saúde pública, pois entende que tal questão não pode ser discutida desvinculada da problemática forjada pela atual organização social, econômica e política do país. A Educação Física Popular não pretende ser disciplinadora dos sujeitos sociais e muito menos está voltada para o incentivo da busca por medalhas. Ela é, antes de tudo, ludicidade e cooperação, e nesse sentido o desporto, a dança, a ginástica, etc., assumem um papel de promotores de organização e mobilização dos trabalhadores.

O Movimento Psicomotricista
O primeiro estudo a ser explicitado sobre os movimentos renovadores da Educação Física na década de 1980, diz respeito ao “Desenvolvimento Psicomotor” de Jean Le bouch. A psicomotricidade, considerada uma teoria geral do movimento que utiliza na formação do sujeito a estruturação do esquema corporal e as aptidões motoras.
A metodologia da educação pelo movimento, ao identificar-se com a psicocinética, respeitará a estrutura corporal das crianças de acordo com as suas faixas etárias. Neste caso, existe a possibilidade de uma ação educativa que a partir dos movimentos naturais da criança e das atitudes corporais, favorece a originalidade da imagem corporal.

Movimento Humanista
O Movimento Humanista foi formulado pelo autor Vitor Marinho de Oliveira (1985), em seu livro “Educação Física Humanista”, o qual faz opção pela psicologia centrada no cliente de Carl Rogers como fundamentação teórica de sua proposta.
A proposição da Educação Física Humanista leva em consideração os seguintes pontos: aprendizagem significativa e a Educação Física Escolar o potencial criativo e a Educação Física Escolar; a individualidade e a Educação Física Escolar; o jogo e a Educação Física Escolar; o exercício natural e a Educação Física Escolar; e a liberdade e a Educação Física Escolar.

O Esporte Para Todos (EPT)
O movimento renovador Esporte Para Todos (EPT) foi apresentado por Dieckrt (1985). Surge por se contrapor ao esporte de rendimento o qual vinha sendo desenvolvido nas aulas de Educação Física escolar. Essa contraposição é reforçada a partir do momento em que o autor apresenta as características do esporte a ser praticado por atletas de alto nível e do tipo de esporte a ser desenvolvido para todos.
A idéia é a de que se de um lado o esporte de rendimento impõe regras de nível internacional, voltado pra pessoas aptas (atletas) a realizá-lo, por outro se dispõe do EPT, que voltado como proposta ao atendimento de todos, apresenta-se desvinculado de performances meramente técnicas podendo ser praticado por todas as idades para a melhora da qualidade de vida através da prática de atividades físicas, recreativas e esportivas.Nesse sentido, nas aulas de Educação Física, o esporte é o conteúdo eleito para garantir a participação de todos nas atividades corporais.

O Movimento EPT, apresenta-se como uma proposta alternativa em relação ao esporte de rendimento. Assim, no meio educacional e, em particular, na Educação Física, as aulas deixam de ser centradas no professor passando a serem centradas no aluno, considerando o educando como sujeito do (e no) processo.

A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL


Os índios - No Brasil colônia - Os primeiros habitantes, os índios, deram pouca contribuição a não ser os movimentos rústicos naturais tais como nadar, correr atrás da caça, lançar, e o arco e flecha. Na suas tradições incluem-se as danças, cada uma com significado diferente: homenageando o sol, a lua, os Deuses da guerra e da paz, os casamentos etc. Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre outras que não foram absorvidas pelos colonizadores. Sabe-se que os índios não eram muito fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo.

Os negros e a capoeira - Sabe-se que vieram para o Brasil para o trabalho escravo e as fugas para os Quilombos os obrigava a lutar sem armas contra os capitães-do-mato, homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato a dentro para recapturar os escravos. Com o instinto natural, os negros descobriram ser o próprio corpo uma arma poderosa e o elemento surpresa. A inspiração veio da observação da briga dos animais e das raízes culturais africanas. O nome capoeira veio do mato onde entrincheiravam-se para treinar. "Um estranho jogo de corpo dos escravos desferindo coices e marradas, como se fossem verdadeiros animais indomáveis". São algumas das citações de capitães-do-mato e comandantes de expedições descritas nos poucos alfarrábios que restaram. Rui Barbosa mandou queimar tudo relacionado à escravidão.Brasil Império - Em 1851 a lei de n.º 630 inclui a ginástica nos currículos escolares. Embora Rui Barbosa não quisesse que o povo soubesse da história dos negros, preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias de secundárias praticada 4 vezes por semana durante 30 minutos.Brasil República - Essa foi uma época onde começou a profissionalização da Educação Física.As políticas públicas - Até os anos 60 o processo ficou limitado ao desenvolvimento das estruturas organizacionais e administrativas específicas tais como: Divisão de Educação Física e o Conselho Nacional de Desportos.Os anos 70, marcado pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não para fins educativos, mas de propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis de ensino voltada para os esportes de alto rendimento.Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos voltados à sociedade. No esporte de alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocínios e empresas podendo contratar atletas funcionários fazendo surgir uma boa geração de campeões das equipes Atlântica Boa Vista, Bradesco, Pirelli entre outras.

Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos manifestada de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte performance. A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de direito uma profissão a qual compete mediar e conduzir todo o processo.