quarta-feira, 11 de maio de 2011

Dislipdemia e Hipercolesterolemia

DISLIPDEMIA

É caracterizada pela alteração do nível das principais gorduras (lipídeos) no sangue: o colesterol e os triglicerídeos.  Essas alterações estão intimamente ligadas a doença arterial coronariana, a doença com maior índice de mortalidade no Brasil. Por isso, é importante que estas gorduras se mantenham com valores adequados no sangue.

Valores desejáveis das gorduras no sangue


Dicas para controlar o colesterol

Evite os seguintes alimentos:
  • Leite integral e seus derivados: manteiga, queijos amarelos e requeijão
  • Carnes gordas e alimentos que, com ela, são feitos: fígado, moela, coração, toucinho, pé e orelha de porco, bacon, carne seca, língua, mocotó, dobradinha e feijoada
  • Alimentos preparados com soluções gordurosas: carne à milanesa ou feitas com creme de leite e frituras
  • Alimentos embutidos: salsicha, salame e lingüiça
Alimentos que você deve comer:
  • Leite desnatado e seus derivados: iogurte desnatado, ricota, margarina (com moderação) e requeijão light
  • Carnes magras, frango sem pele e peixes
  • Verduras, legumes e frutas (com exceção do coco)
  • Aveia (diariamente)
  • Arroz e Feijão
  • Use azeite na salada e óleos vegetais para cozinhar.
Além do colesterol, outros fatores precisam ser controlados ou eliminados para se evitar a doença arterial coronariana:
  • Controle o diabetes
  • Controle a hipertensão arterial
  • Reduza o peso
  • Pare de fumar
  • Faça caminhadas diárias
  • Reduza o estresse
                                                                                                              
HIPERCOLESTEROLEMIA
 Hipercolesterolemia é a presença de quantidades de colesterol acima do normal no sangue.
Sinais e sintomas
A hipercolesterolemia por si só é silenciosa. Os sintomas costumam ser das doenças conseqüentes a ela, como um infarto agudo do miocárdio. Alguns tipos de hipercolesterolemia levam à alterações físicas específicas: xantoma (lesões encontradas na pele sob a forma de nódulos ou placa, devido ao acúmulo de colesterol em macrófagos), xantelasma palpebral (manchas amarelas ao redor dos olhos) e arco senil (descoloração branca ao redor da córnea). A hipercolesterolemia é um dos fatores envolvidos no desenvolvimento da aterosclerose. Esta pode se expressar através de várias complicações.
A partir da medida da quantidade total do colesterol e de suas frações. O colesterol é transportado em lipoproteínas. Conforme a densidade e tamanho destas lipoproteínas, elas são classificadas em Lipoproteínas de alta densidade (HDL), Lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e Lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL). Os níveis de VLDL e LDL raramente são medidos devido aos custos. Os níveis de VLDL são deduzidos a partir dos níveis de triglicerídeos. A proporção de colestrol transportado nas VLDL é de 20% do total de triglicerídeos do sangue. Os níveis LDL costumam ser estimados através dos outros valores obtidos, através da Fórmula de Friedewald:
LDL = Colesterol Total - HDL - 0,20 . Triglicerideos\,
 
Causas
A hipercolesterolemia pode ser consequencia de uma outra doença, como Diabetes, Insuficiência renal e Hipotiroidismo, ou surgir isoladamente (doença primária). Como controle dos níveis de colesterol envolve muitas enzimas e cada uma delas não sendo efetiva pode levar ao problema. A enzima não é ativada por ocorrer erros inatos do metabolismo, que pode ser genético. Não existe uma causa única. A doença é resultante de um "mosaico genético" apropriado e fatores ambientais, como padrão alimentar e nível de atividade física.
 
Tratamento
O tratamento visa atingir metas. As metas são variáveis de pessoa a pessoa, conforme o estado geral de saúde.

Por exemplo, em uma mulher de 20 anos, com pressão normal, não fumante, sem história de famíliar de doença cardio-vascular, um nível de 210 mg/dL de colesterol total não necessita de tratamento, já que este tratamento muito pouco adicionaria de proteção aquela pessoa.

Já um senhor de 56 anos, diabético, com hipertensão arterial e que teve um infarto agudo do miocárdio há 1 ano, os mesmos níveis são de indicação não apenas de dieta, mas de uso contínuo de medicações, já que isto diminuirá muito a chance de um novo infarto.
São ferramentas de tratamento:
  • Reorientação alimentar.
  • Otimização de atividade física.
  • Medicações:
    • Inibidores da hidroxi-metil-glutamil-coenzima-A redutase , as chamadas estatinas.
    • Derivados do ácido fíbrico, os chamados fibratos.
    • Suplementação de ácidos graxos ômega III.
    • Inibidores da captação de colesterol no intestino, seja por inibir a absorção no epitélio do intestino, seja por ligação a resinas que serão eliminadas nas fezes.
O mosaico genético que predispõe a hipercolesterolemia não é modificável. Sempre aquele indivíduo tenderá a elevar o colesterol. Desta maneira o acompanhamento e o tratamento tendem a ser perenes, com os ajustes feitos de tempos em tempos, conforme o envelhecimento da pessoa, o surgimento de outras doenças e modificações nas influências ambientais.

domingo, 1 de maio de 2011

ORIENTAÇÃO TRABALHO EM GRUPO ED. FÍSICA

Serão 2 apresentações por sala sendo que cada grupo terá um tempo mínimo de apresentação de 10 minutos e máximo de 15 minutos. Valor: 6 pontos.
Qualquer recurso que o grupo for utilizar deve ser avisado e reservado com a Professora Érica no período de 1º a 3 de junho. As apresentações serão de 6 a 17/06/2011.
Cada grupo deverá preparar um resumo sobre o tema do trabalho com o número de cópias igual à quantidade de alunos da sala. Esse material deverá servir para que os colegas estudem para o PROVÃO da 2ª etapa. (entregar o resumo para a professora revisar antes de fazer as cópias) – Máximo 01 folha digitada Arial 12, entrelinha 1,5 e margem de 2cm.
Temas dos trabalhos:
1)     HIPERCOLESTEROLEMIA E DISLIPDEMIA
2)     DOENÇAS DO SEDENTARISMO
3)     ALIMENTAÇÃO BALANCEADA, ATIVIDADE FÍSICA E EMAGRECIMENTO
4)     ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS DO CORPO EM EXERCÍCIO
5)     CONTRAÇÃO MUSCULAR E SISTEMA MÚSCULO-ESQUELÉTICO (noções de biomecânica)
6)     ANABOLIZANTES, DOPING, E SUPLEMENTOS ALIMENTARES
7)     DISTÚRBIOS ALIMENTARES
8)     TIPOS DE ATIVIDADES FÍSICAS E SUAS FUNÇÕES/EFEITOS NO CORPO
Serão avaliados os seguintes itens:
- Domínio do conteúdo (tanto do aluno-apresentador -sorteado 01 dia antes- quanto dos demais que responderem às questões);
- Recursos utilizados;
- Qualidade do resumo produzido;
- Qualidade da apresentação realizada (relação tempo/conteúdo/clareza nas explicações)

Quadro de pontuação e classificação das ações do PROJETO SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA


Premiações:
1 e 2 lugares: Passeio ao clube
3 e 4 lugares: Festinha na sala


Ações do PROJETO SAUDE E QUALIDADE DE VIDA

sábado, 30 de abril de 2011

AVISO

Devido a problemas de ordem tecnica, o resultado do PROJETO SAUDE E QUALIDADE DE VIDA somente estará disponível amanhã (1 de maio) a partir das 9h.

Desculpem-me pelo imprevisto.

Certa da compreensão.

Um abraço a todos...

Professora Érica.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Maneiras de prevenir e controlar a hipertensão

A pressão alta pode ser evitada com hábitos simples que farão bem a toda sua saúde

A hipertensão, conhecida como pressão alta, é uma doença crônica que não tem cura, mas pode ser controlada. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde, a proporção de brasileiros diagnosticados com hipertensão arterial cresceu de 21,5%, em 2006, para 24,4%, em 2009. Os dados fazem parte de levantamento anual do Ministério da Saúde e foram divulgados recentemente. "Normalmente, um paciente com pressão igual ou superior a 140/90mmHg é diagnosticado como hipertenso. Além disso, o paciente tem de permanecer com a pressão mais alta do que o normal" explica o cardiologista Enéas Rocco.

A pesquisa do MS feita com 54 mil adultos revela que a prevalência da doença, de 2006 a 2009, aumentou em todas as faixas etárias, principalmente entre os idosos. Atualmente, 63,2% das pessoas com 65 anos ou mais sofrem do problema contra 57,8%, em 2006. O percentual de hipertensos não passa de 14% na população até os 34 anos. Dos 35 aos 44 anos, a proporção sobe para 20,9%. O índice salta para 34,5%, dos 45 aos 54, e para 50,4%, dos 55 aos 64 anos. Esse aumento na ocorrência da doença, de acordo com a idade, é resultado de padrões alimentares e de atividade física ao longo da vida, além de fatores genéticos, estresse e outros determinantes. A proporção de hipertensos é maior entre mulheres (27,2%) que entre homens (21,2%).

A pesquisa também aponta que, quanto menor a escolaridade, mais casos da doença são diagnosticados. Entre os adultos com até oito anos de educação formal, 31,5% declaram que têm hipertensão. O porcentual cai para 16,8% se considerado o grupo de pessoas de nove a 11 anos de instrução. A hipertensão podem desencadear males que envolvem o sistema circulatório, desde um infarto até um derrame cerebral. Entretanto, há hábitos de vida que implicam em pequenas mudanças que estão totalmente ao alcance e podem blindar seu organismo. Confira algumas dicas para afastar essa doença silenciosa... 

Perdendo medidas: Pesquisadores do Instituto de Nutrição da UFRJ descobriram que um mal, muitas vezes esquecido, tem grande influência na hipertensão: o acúmulo de gordura na cintura. O indicador é sinal de alerta quando as medidas ultrapassam 102cm para os homens e 88cm nas mulheres, pois essa gordura abdominal duplica as chances de hipertensão, infarto e diabetes. Para reduzir os alimentos gordurosos na alimentação vale incluir frutas, verduras e legumes. Cortar a carne não é preciso, mas dê preferência aos cortes magros como filé mignon e músculo.

Caminhe: Um hábito prático e saudável: para afastar o perigo da hipertensão, aposte nas caminhadas. Uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP, comprovou que a caminhada reduz a pressão arterial na primeira hora e, o que é melhor ainda, essa queda se mantém nas 24 horas subsequentes. Atividades físicas regulares, principalmente as aeróbias, contribuem para a melhora de todo o sistema circulatório e pulmonar. Só tome cuidado com os exageros: antes de começar qualquer treino, procure um especialista e faça uma avaliação geral.

Reduza (não elimine) o sal: O excesso de sal na dieta leva à retenção de líquidos, acarretando a hipertensão. Por isso, maneire na hora de temperar a comida e diminua o consumo de enlatados e alimentos em conserva. Além disso, hoje existe uma boa substituição: o sal diet pode ser útil na dieta do hipertenso, substituindo parte do cloreto de sódio pelo cloreto de potássio - e nisso, ele é duplamente benéfico, por reduzir o sódio e por adicionar potássio, sendo esse último um elemento muito importante na prevenção e no tratamento da hipertensão arterial. Além dos cuidados em relação ao consumo de sal, quem já apresenta a hipertensão deve seguir uma dieta balanceada, privilegiando frutas e verduras, carne magra, laticínios desnatados, grãos e cereais.

Beba com moderação: A redução da ingestão de álcool também auxilia o controle da pressão arterial, porém não é necessária a abstinência. Para não passar da conta, a recomendação é a seguinte: a ingestão de bebida alcoólica deve ser limitada a 30g álcool/dia contidas em 600 ml de cerveja (5% de álcool) ou 250 ml de vinho (12% de álcool) ou 60ml de destilados (whisky, vodka, aguardente com 50% de álcool). Este limite deve ser reduzido à metade para homens de baixo peso, mulheres e indivíduos com sobrepeso e/ou triglicérides elevados.

Apague o cigarro: O tabaco, em conjunto às outras substâncias tóxicas do cigarro, eleva a pressão imediatamente, além de comprometer toda a sua saúde a longo prazo. "Parar de fumar é fundamental", alerta o professor de Cardiologia da Santa Casa de São Paulo, Ronaldo Rosa. Isso ocorre porque a nicotina do cigarro aumenta a pressão arterial - o que não significa que fumar cigarros com baixos teores de nicotina diminua consideravelmente o risco de doenças cardíacas.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ALTERAÇÕES QUE OCORREM NO ORGANISMO DURANTE ATIVIDADE FÍSICA

VENTILAÇÃO PULMONAR: Ar que entra e sai dos pulmões.

Duas fases: uma que leva o ar para dentro dos pulmões (inspiração) e outra que elimina (expiração).
Durante o exercício a ventilação pulmonar pode ser 15 a 30 vezes maior do que em repouso.
VENTILAÇÃO POR MINUTO: Volume de ar que inspiramos ou expiramos por minuto.
Esta  ventilação aumenta durante o exercício e é diretamente proporcional aos aumentos nas quantidades de oxigênio consumido e de dióxido de carbono produzido pelos músculos ativos.
Pessoas treinadas tendem a possuir ventilação-por-minuto mais baixa, principalmente atletas de resistência.
Ventilação máxima devida ao exercício pode aumentar de 25 a 30 vezes em relação aos valores de repouso.
Destreinadas: as capacidades são mais baixas. Menor eficiência ventilatória
RAZÕES DESTAS VARIAÇÕES: estímulos químicos, principalmente dióxido de carbono presente no sangue e produzido durante o exercício.
Nem todo ar que inspiramos por minuto toma parte na troca gasosa com os capilares. Só uma parte “ar fresco” que alcança os alvéolos = ventilação alveolar. Esta garante uma boa oxigenação e remoção do dióxido de carbono. O volume de ar que permanece no nariz, boca, faringe, laringe, traquéia, brônquios e bronquíolos, não participam da troca gasosa = espaço morto.
Durante o exercício há uma dilatação (pode duplicar) das passagens respiratórias – mas o volume corrente também aumenta.
Mais ou menos 80% do ar recente inspirado por minuto ventilam os alvéolos.
Durante o exercício, a capacidade difusora aumenta, por causa da abertura de mais alvéolos e capilares, ampliando-se assim a área superficial. Em geral os atletas possuem maiores capacidades difusoras em repouso e durante o exercício do que os não atletas.

EM FUMANTES: Os músculos respiratórios terão que trabalhar mais para consumir mais oxigênio para ventilarem determinada quantidade de ar.

CAUSAS DA DOR DE LADO – dor aguda no gradil costal ou 2o fôlego.
Possíveis razões: Carência de oxigênio nos músculos respiratórios (diafragma e nos músculos intercostais). Fluxo sangüíneo insuficiente.

ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS.
Aumenta o débito cardíaco que é a quantidade de sangue bombeado (volume de ejeção) pelo coração (ventrículo esquerdo), e por uma redistribuição do fluxo sangüíneo, que se afasta dos órgãos inativos – vasoconstrição -(órgãos viscerais e pele) e se dirige para os músculos esqueléticos ativos – Vasodilatação.
Aumenta a Freqüência: número de vezes que o coração bate por minuto.
Aumenta Temperatura local - Aumento nos níveis de CO2 e ácido lático.
Para levar mais oxigênio, implica aumento no volume de ejeção.
Coração esquerdo – bombeia sangue para os tecidos; coração direito bombeia sangue para os pulmões.

FC – máximas são semelhantes em indivíduos tanto treinados quanto destreinados. Enquanto o volume de ejeção pode duplicar no atleta.

O treinamento exerce um efeito pronunciado sobre a FC, até mesmo em repouso. Ex. Atletas treinados – FC repouso pode ser de apenas 40 p/min.
Destreinados:  FC em repouso pode ser de 90 p/min.

FREQÚÊNCIA CARDÍACA LENTA EM REPOUSO OU DURANTE O EXERCÍCIO É CARACTERÍSTICA DO INDIVÍDUO TREINADO.
FC lenta + Volume de ejeção relativamente grande= Sistema Circulatório eficiente, ou seja, o coração não precisa bater tão freqüentemente.

EQUILÍBRIO TÉRMICO CORPORAL é conseguido quando a perda de calor iguala a produção (ganho) de calor.
O corpo perde calor:
CONVECÇÃO: molécula aquece dilata. Dilatando diminui densidade – tendência é “subir”.
CONDUÇÃO: Através de contato – meio material.
RADIAÇÃO: Todo corpo emite radiação – Infra vermelho.
EVAPORAÇÃO DE SUOR: mudança de fase. Suor (líquido); tendência evaporar. Para evaporar retira calor da pele.
O corpo ganha calor:
Através do metabolismo
Meio ambiente: recebendo fluxo de calor.
Radiação: Sol, ou na quadra coberta. Teto radiando calor.
Convecção: roupa inadequada, impede perda de calor.
Condução: quadra quente – tem que ter meio material.

Reduzir esses efeitos:
Reposição adequada de água e eletrólitos.
Aclimatização ao calor (adaptação).
Conhecimento das limitações impostas pela combinação de exercícios, vestuário e temperatura (calor) ambiente.

FONTE:
FOX-BOWERS-FOSS. Bases Fisiológicas da Educação Física e dos Desportos. 4ed. Rio de Janeiro, Editora: Guanabara Koogan S.A, 1989.

Educação Física - CONCEITUAÇÃO

Pode-se conceituar a Educação Física no panorama mundial atual como uma atividade educativa por excelência, comprometida com os direitos fundamentais do ser humano (saúde, ocupação saudável do tempo livre, preservação da cultura, entre outros) constituindo, portanto, um meio efetivo para a melhoria da qualidade de vida.

Educação Física hoje e as Representações Sociais
Dos diferentes entendimentos que se tem acerca do que é ou deva ser a Educação Física, resultam diferentes pressupostos teórico-metodológicos para o seu ensino na escola.Atualmente podemos identificar o predomínio de concepções na Educação Física brasileira. Para Castellani Filho (1994), são três as perspectivas que hoje encontram na Educação Física maior significância:

a) uma, que se encontra na sua biologização, ou seja, ocupa-se dos aspectos biológicos da Educação Física;
b) outra, que se percebe na sua psicopedagogização, ocupando-se dos aspectos psicológicos e pedagógicos do ensino da Educação Física; e
c) proposta de uma prática pedagógica transformadora, preocupando-se com os aspectos simbólicos das diferentes manifestações da Educação Física.De fato, a sociedade, a escola ainda hoje, concebe essa área e seu profissional, na escola e fora dela, como a responsável pela garantia da saúde das pessoas por meio de práticas esportivas e de atividades físicas. Tais noções são fortemente reforçadas pela mídia, sobretudo a televisionada, porque, geralmente, quando são realizadas entrevistas e documentários em programas esportivos ou jornalísticos sobre a profissão com ou sem a presença do professor de Educação Física, estas se referem a aspectos sobre atividade física e saúde, detecção de talentos ou outras matérias do gênero que nos permite fazer determinadas leituras de uma área permeada de representações em torno da qual a sociedade constrói concepções idealizadas sobre a Educação Física.


EDUCAÇÃO FÍSICA: HISTÓRIA E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS

Analisaremos cada uma dessas concepções delimitando-as e caracterizando-as para um melhor entendimento de como ocorreu o processo de construção das representações sociais da saúde nessas concepções como área encarregada, através das práticas de atividade física e esportivas, de cuidar da “saúde”, de valores “cívicos” e “morais” dos sujeitos sociais.

Concepção Higienista
A Educação Física Higienista surge no Brasil em fins do século XIX. Percorrendo mais de 40 anos de existência, essa concepção é implementada pelo liberalismo burguês, que acreditava resolver os problemas sociais enfrentados pela sociedade brasileira através da escola. “O inchaço das cidades, a formação de bairros insalubres, a proliferação de doenças infecciosas provindas das precárias condições de vida. O pensamento liberal da época não atribuía os inúmeros problemas enfrentados pela sociedade brasileira ao seu modelo sócio-econômico, mas ao analfabetismo e a falta de escolarização da população. A grande concentração de pessoas em um só setor, o aumento de doenças e as péssimas condições de vida constatada nos bairros operários estavam relacionados à “ignorância do povo”.Diante desse quadro social, dissemina-se a noção de que essa sociedade precisa, urgentemente, adquirir hábitos higiênicos no seu dia-a-dia, garantindo que fiquem longe de doenças e sempre sadias.
A Educação Física não era considerada como disciplina pedagógica, mas como um instrumento capaz de promover a saúde das pessoas. Representava a própria extensão dos órgãos de saúde na escola.

Concepção Militarista
A Educação Física Militarista, inspirada pelo movimento fascista, surge em 1931, como disciplina obrigatória nos cursos secundários. Esta foi expandida nas escolas, visando “aperfeiçoar os indivíduos” e promover a “saúde da Pátria”. De fato, tal concepção postula que é possível homogeneizar o povo através das atividades físicas e do desporto, independente de suas diferenças étnicas.
Passa a reforçar ainda mais os interesses de se obter, através de exercícios, pessoas mais fortes e mais saudáveis em condições de defenderem sua pátria.
A representação aparente da concepção militarista era a de obter uma juventude capacitada para suportar o combate, a luta, a guerra. Assim sendo, pregava um tipo de Educação Física “selecionista”, porque os mais fortes, os ditos mais aptos estariam com mais condições de praticá-la. Aqui, a Educação Física apresenta-se como colaboradora do processo de “seleção natural” passando a valorizar e evidenciar os mais “fortes” em detrimento dos mais “fracos”.

Concepção Pedagogicista
No período pós-guerra, compreendido de 1945 a 1964, surge a Educação Física Pedagogicista. Representou um avanço em relação às concepções anteriormente assinaladas, pelo fato de ter considerado a Educação Física uma disciplina escolar. Sua preocupação não era a de ofertar uma formação crítica para a juventude brasileira, mas de mantê-la fora do processo de construção de uma nova consciência capaz de promover a reflexão sobre a realidade social e de não permitir uma diminuição das injustiças e desigualdades da época.
De fato, a Educação Física Pedagogicista, respeitada acima das questões políticas e dos interesses inerentes de cada grupo ou classe social foi implantada na escola pública para fortalecer e encobrir as desigualdades, alterando e limitando a prática da disciplina e a postura do professor.
A tendência em questão, em seu caráter neutro, é quem vai chamar atenção da sociedade para o fato de que a Educação Física não deve apenas funcionar como a responsável pela promoção da saúde ou de disciplinar a juventude, mas deve-se encará-la como uma prática educativa. Portanto, o sentido a ela atribuído se diferencia das tendências anteriores porque propõe uma disciplina preocupada com os aspetos também educacionais.Concepção Competitivista
Com o surgimento da Educação Física Competitivista, consolidava-se a concepção que iria privilegiar o Treinamento esportivo, tornando o “esporte de alto nível” o principal paradigma da Educação Física na escola.
O exagero pela competição, o fortalecimento do individualismo, a busca incessante e a qualquer custo pela vitória são neste momento histórico algumas das marcantes representações veiculadas pela Educação Física. Não diferente das anteriores, essa tendência faz vistas grossas aos conflitos político-sociais, considerando como mais importante o “vencer”. O conteúdo de ensino passa a ser oficialmente o desporto de rendimento ou alto nível, reforçando a noção de que todos podem, independentemente das desiguais oportunidades, praticá-lo a ponto de um dia também chegar ao topo. A conquista do pódio nos esportes serve como metáfora para “o vencer” na vida.

Concepção Popular
Ao contrário das concepções anteriormente citadas, a Educação Física Popular revela uma produção teórica ampla e de fácil acesso.
A Educação Física Popular não está preocupada com a saúde pública, pois entende que tal questão não pode ser discutida desvinculada da problemática forjada pela atual organização social, econômica e política do país. A Educação Física Popular não pretende ser disciplinadora dos sujeitos sociais e muito menos está voltada para o incentivo da busca por medalhas. Ela é, antes de tudo, ludicidade e cooperação, e nesse sentido o desporto, a dança, a ginástica, etc., assumem um papel de promotores de organização e mobilização dos trabalhadores.

O Movimento Psicomotricista
O primeiro estudo a ser explicitado sobre os movimentos renovadores da Educação Física na década de 1980, diz respeito ao “Desenvolvimento Psicomotor” de Jean Le bouch. A psicomotricidade, considerada uma teoria geral do movimento que utiliza na formação do sujeito a estruturação do esquema corporal e as aptidões motoras.
A metodologia da educação pelo movimento, ao identificar-se com a psicocinética, respeitará a estrutura corporal das crianças de acordo com as suas faixas etárias. Neste caso, existe a possibilidade de uma ação educativa que a partir dos movimentos naturais da criança e das atitudes corporais, favorece a originalidade da imagem corporal.

Movimento Humanista
O Movimento Humanista foi formulado pelo autor Vitor Marinho de Oliveira (1985), em seu livro “Educação Física Humanista”, o qual faz opção pela psicologia centrada no cliente de Carl Rogers como fundamentação teórica de sua proposta.
A proposição da Educação Física Humanista leva em consideração os seguintes pontos: aprendizagem significativa e a Educação Física Escolar o potencial criativo e a Educação Física Escolar; a individualidade e a Educação Física Escolar; o jogo e a Educação Física Escolar; o exercício natural e a Educação Física Escolar; e a liberdade e a Educação Física Escolar.

O Esporte Para Todos (EPT)
O movimento renovador Esporte Para Todos (EPT) foi apresentado por Dieckrt (1985). Surge por se contrapor ao esporte de rendimento o qual vinha sendo desenvolvido nas aulas de Educação Física escolar. Essa contraposição é reforçada a partir do momento em que o autor apresenta as características do esporte a ser praticado por atletas de alto nível e do tipo de esporte a ser desenvolvido para todos.
A idéia é a de que se de um lado o esporte de rendimento impõe regras de nível internacional, voltado pra pessoas aptas (atletas) a realizá-lo, por outro se dispõe do EPT, que voltado como proposta ao atendimento de todos, apresenta-se desvinculado de performances meramente técnicas podendo ser praticado por todas as idades para a melhora da qualidade de vida através da prática de atividades físicas, recreativas e esportivas.Nesse sentido, nas aulas de Educação Física, o esporte é o conteúdo eleito para garantir a participação de todos nas atividades corporais.

O Movimento EPT, apresenta-se como uma proposta alternativa em relação ao esporte de rendimento. Assim, no meio educacional e, em particular, na Educação Física, as aulas deixam de ser centradas no professor passando a serem centradas no aluno, considerando o educando como sujeito do (e no) processo.

A EDUCAÇÃO FÍSICA NO BRASIL


Os índios - No Brasil colônia - Os primeiros habitantes, os índios, deram pouca contribuição a não ser os movimentos rústicos naturais tais como nadar, correr atrás da caça, lançar, e o arco e flecha. Na suas tradições incluem-se as danças, cada uma com significado diferente: homenageando o sol, a lua, os Deuses da guerra e da paz, os casamentos etc. Entre os jogos incluem-se as lutas, a peteca, a corrida de troncos entre outras que não foram absorvidas pelos colonizadores. Sabe-se que os índios não eram muito fortes e não se adaptavam ao trabalho escravo.

Os negros e a capoeira - Sabe-se que vieram para o Brasil para o trabalho escravo e as fugas para os Quilombos os obrigava a lutar sem armas contra os capitães-do-mato, homens a mando dos senhores de engenho que entravam mato a dentro para recapturar os escravos. Com o instinto natural, os negros descobriram ser o próprio corpo uma arma poderosa e o elemento surpresa. A inspiração veio da observação da briga dos animais e das raízes culturais africanas. O nome capoeira veio do mato onde entrincheiravam-se para treinar. "Um estranho jogo de corpo dos escravos desferindo coices e marradas, como se fossem verdadeiros animais indomáveis". São algumas das citações de capitães-do-mato e comandantes de expedições descritas nos poucos alfarrábios que restaram. Rui Barbosa mandou queimar tudo relacionado à escravidão.Brasil Império - Em 1851 a lei de n.º 630 inclui a ginástica nos currículos escolares. Embora Rui Barbosa não quisesse que o povo soubesse da história dos negros, preconizava a obrigatoriedade da Educação Física nas escolas primárias de secundárias praticada 4 vezes por semana durante 30 minutos.Brasil República - Essa foi uma época onde começou a profissionalização da Educação Física.As políticas públicas - Até os anos 60 o processo ficou limitado ao desenvolvimento das estruturas organizacionais e administrativas específicas tais como: Divisão de Educação Física e o Conselho Nacional de Desportos.Os anos 70, marcado pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não para fins educativos, mas de propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis de ensino voltada para os esportes de alto rendimento.Nos anos 80 a Educação Física vive uma crise existencial à procura de propósitos voltados à sociedade. No esporte de alto rendimento a mudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocínios e empresas podendo contratar atletas funcionários fazendo surgir uma boa geração de campeões das equipes Atlântica Boa Vista, Bradesco, Pirelli entre outras.

Nos anos 90 o esporte passa a ser visto como meio de promoção à saúde acessível a todos manifestada de três formas: esporte educação, esporte participação e esporte performance. A Educação Física finalmente regulamentada é de fato e de direito uma profissão a qual compete mediar e conduzir todo o processo.